Publicado em 12 de junho de 2026

Deborah Jackeline de Paula


A curitibana Deborah Jackeline de Paula conheceu a ABRAFAC por intermédio da Presidente Livia Lourenço, sua colega de trabalho na JLL. Até então, a profissional já tinha ouvido falar da Associação, mas foi somente em setembro de 2025, durante uma conversa mais aprofundada, que soube mais detalhes sobre a entidade. Era o que faltava para se tornar associada.

Com mais de 15 anos de atuação na JLL, Deborah não é uma profissional de FM propriamente dita. “Minha área é Finanças Corporativas. Mas, ao longo de todos esses anos trabalhando em estreita colaboração com o time de Operações, posso afirmar que conheço bem a rotina de um Facility Manager: os desafios diários, os imprevistos que precisam ser gerenciados com agilidade e, especialmente, a constante busca pela excelência no atendimento ao cliente”, enfatiza.

Mas nem tudo foram flores. Deborah acrescenta que, como administradora e sem conhecimento prévio em FM, seus maiores desafios iniciais foram justamente compreender a natureza operacional do negócio. “Foi necessário aprender sobre os múltiplos serviços que gerenciávamos e me familiarizar com indicadores operacionais que eram completamente novos para mim.”

Ela recorda que passou a trabalhar com diversos tipos de contratos e estruturas de billing, rateios complexos e diferentes metodologias de remuneração. “Outro desafio significativo foi aprender a administrar custos não planejados — inerentes à natureza do negócio de Facilities — realizando reforecasts mensais para manter a precisão das projeções financeiras.”

Mas foram justamente esses desafios que levaram a profissional a desenvolver uma proximidade muito maior com o time operacional do que estava acostumada. “Passei a adaptar minha comunicação para uma linguagem mais acessível e menos técnica do ponto de vista financeiro”, relembra.

Por fim, a profissional também aprendeu a lidar com a constante pressão por margens e rentabilidade em um ambiente extremamente competitivo, onde cada decisão financeira impacta diretamente a qualidade do serviço prestado e a satisfação do cliente.

A partir daí — e também da filiação à ABRAFAC — um novo horizonte se descortinou, proporcionando a Deborah a compreensão de que o mercado de FM passa por transformações significativas. “Destaco a adoção de Inteligência Artificial (IA) em manutenção preditiva, a gestão orientada por dados para decisões mais estratégicas e a crescente demanda por sustentabilidade e práticas ESG”, afirma.

A especialista também aponta o crescimento do modelo IFM (Integrated Facilities Management), centralizando serviços para maior eficiência. “Ao mesmo tempo, me deparo com uma reclamação recorrente no segmento: a escassez de mão de obra qualificada, que gera impacto significativo tanto na prestação de serviços quanto na experiência do usuário, indicador que vem ganhando relevância nos últimos tempos”, observa.

Na visão de Deborah, o Facility Management é cada vez mais visto como impulsionador do EBITDA, por meio de métricas estratégicas, como custo por metro quadrado e gestão do ciclo de vida de ativos. Além disso, ela cita a Reforma Tributária de 2026 como uma mudança estrutural, que exigirá revisão completa dos modelos contratuais, de precificação e faturamento do setor.

A profissional destaca que, no cenário atual de constantes transformações, a ABRAFAC desempenha um papel fundamental para o setor. “A Associação atua na geração de conhecimento e capacitação profissional, estabelece diretrizes importantes para o mercado e impulsiona o networking entre profissionais, empresas contratantes e fornecedores.”

Além disso, para Deborah, a ABRAFAC oferece conteúdos relevantes sobre tecnologia e inovação, essenciais para a evolução do segmento. “A Associação funciona como uma ponte que conecta os diferentes players do mercado, promovendo discussões estratégicas e o compartilhamento de melhores práticas que beneficiam todo o ecossistema de FM.”

Tanto que, para ela, duas iniciativas da entidade merecem destaque. “A primeira é o Congresso ABRAFAC & Expo FM, que reúne líderes e especialistas dos setores de Facility Management, Workplace e Property Management. O evento oferece conteúdo estratégico altamente relevante para o público do setor e representa uma excelente oportunidade para networking e desenvolvimento de novos negócios, já que conta com uma feira onde diversos fornecedores apresentam soluções inovadoras em infraestrutura, tecnologia e manutenção.”

A segunda iniciativa que Deborah considera essencial são os Comitês Técnicos ABRAFAC, “por se reunirem constantemente para desenvolver conteúdo especializado destinado ao mercado”, afirma, enfatizando que a iniciativa resulta no compartilhamento de melhores práticas, na construção de diretrizes setoriais e na promoção contínua do crescimento e da profissionalização do setor no Brasil.

Atualmente colaborando com o Comitê Técnico Modelos de Contratação, Deborah tem como prioridade compartilhar sua experiência e conhecimentos técnicos, confrontando-os com o cenário atual e com a crescente necessidade de capacitação e conhecimento exigida pelo mercado.

“Busco trazer essas reflexões para discussão dentro do Comitê, ao mesmo tempo em que ouço atentamente os demais integrantes, para que juntos possamos construir diretrizes completas e práticas sobre modelos de contratação de serviços que sejam verdadeiramente úteis e aplicáveis ao setor.”

Para a profissional, é justamente essa troca de experiências entre profissionais de diferentes perfis e empresas que enriquece o trabalho e garante que as diretrizes desenvolvidas reflitam a realidade e as necessidades do mercado.

Ao término desta gestão, Deborah espera que a ABRAFAC tenha conseguido finalizar todos os materiais que estão sendo desenvolvidos e disponibilizá-los ao mercado com conteúdos úteis, práticos e em linguagem clara, contribuindo efetivamente para o crescimento e a profissionalização do segmento.

“Espero também que líderes e associados da ABRAFAC – bem como o mercado como um todo – fiquem satisfeitos com as contribuições realizadas ao longo desta gestão, reconhecendo o valor agregado pelas diretrizes, materiais técnicos e iniciativas promovidas.”

Além disso, Deborah tem um desejo: “que o trabalho desenvolvido deixe um legado consistente, capaz de servir de base para as próximas gestões e continuar impactando positivamente a evolução do Facility Management no Brasil.”

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