Denise Moraes, diretora de Projetos da AKMX, empresa especializada em arquitetura de ambientes corporativos, aposta em projetos personalizados

Em meio à pandemia de covid-19, a AKMX já projeta o futuro dos escritórios. A empresa especializada em arquitetura de ambientes corporativos aposta em projetos personalizados para este momento e para o período que virá a seguir.

Em entrevista ao Portal ABRAFAC, a diretora de Projetos da AKMX, Denise Moraes, afirma que os protocolos de higiene criados pelos órgãos oficiais de saúde indicam mudanças e tendências que vieram para ficar. Porém, a especialista em ambiente alerta: “O que é tendência não vai, necessariamente, se tornar definitivo”.

Confira a entrevista, na íntegra:

Portal ABRAFAC – Como a empresa está lidando com a pandemia do novo coronavírus que vivemos atualmente?

Denise Moraes – Desde março, quando as empresas começaram a suspender suas atividades presenciais, entendemos a necessidade de, primeiramente, cuidar da segurança dos nossos funcionários. Adotamos o home office e as videoconferências, refizemos os cronogramas junto aos clientes, mudamos os protocolos diários de trabalho, diminuímos o efetivo nas obras e contamos com a tecnologia como aliada para decidir projetos, unir produtividade, qualidade e segurança e para criar os futuros ambientes de trabalho. 

Portal ABRAFAC – Quais medidas foram tomadas para evitar a proliferação do vírus entre funcionários, clientes e parceiros?

Denise Moraes – Para auxiliar a distância empresas com novos protocolos, ideias, tendências e informações, a AKMX criou um canal de comunicação chamado ‘E Depois?’, uma consultoria gratuita com profissionais do setor. Afinal, não existe receita na arquitetura e não vamos mudar radicalmente a cultura brasileira. O que faremos são ambientes mais seguros, aliados à tecnologia. Estamos mantendo, portanto, nossa atuação, que sempre foi personalizada.

Portal ABRAFAC – Que mudanças em processos da empresa foram feitas por conta da pandemia e das medidas de isolamento?

Denise Moraes – Primeiramente, nossos equipamentos e alguns mobiliários como cadeiras ergonômicas foram reposicionados para atender o colaborador em home office. Dentro do uso das tecnologias, criamos grupos on-line de estudo para a reciclagem dos nossos arquitetos, além da discussão sobre as principais mudanças do setor. Somente recentemente abrimos as portas do escritório para que alguns projetos pudessem ser discutidos presencialmente, com todas as normas sanitárias existentes. Criamos, ainda, um canal de comunicação interno ‘AKMX pra Vida’, onde os funcionários podem compartilhar suas opiniões, rotinas de trabalho em casa e práticas pessoais durante o isolamento.

Portal ABRAFAC – O que mudou com relação ao modo de executar e desenhar projetos por conta da pandemia de Covid-19?

Denise Moraes – A criação e gestão de projetos não passou por grandes mudanças durante o isolamento, já que otimizamos nossos encontros através de reuniões virtuais e que supriram muito bem a rotina de trabalho. Já na execução, além da diminuição de visitas nas obras, tivemos treinamentos de segurança, aquisição de novos EPIs e novos protocolos foram criados.

Portal ABRAFAC – Alguma obra foi paralisada? Como a empresa lidou com esta situação?

Denise Moraes – Não tivemos nenhuma obra paralisada e não dispensamos nenhum funcionário desde o começo da pandemia. Buscamos todas as alternativas possíveis com os clientes, escritórios e parceiros, adiamos o que foi possível, otimizamos o que era viável e investimos em comunicação e treinamento para os períodos de ociosidade.

Portal ABRAFAC – Que medidas criativas a empresa tomou para lidar com os problemas que surgiram em decorrência da pandemia?

Denise Moraes – Acredito que os canais de comunicação internos e externos foram a melhor aposta da AKMX para manter um diálogo aberto com seus funcionários e sociedade e, ainda, para dizer que estamos aqui, juntos, e que vai passar.

Portal ABRAFAC – O que a empresa acredita que já pode tirar de lição com este período?

Denise Moraes – Acredito que não somente a AKMX, mas muitas empresas entenderam que existem diversas outras possíveis formas de trabalho, que podem ser mais seguras e que apresentam os mesmos ou melhores resultados. Conseguimos, portanto, juntar produtividade, qualidade e segurança em um novo modelo de rotina.

Portal ABRAFAC – Alguma mudança adotada para este momento de quarentena será mantida após a normalização da rotina?

Denise Moraes – Vemos algumas discussões sobre mudanças radicais nos escritórios. Muitos fecharam, outros planejam ir para locais mais remotos, mas é preciso reforçar que cada profissão ou prestação de serviço tem características muito específicas e que demandam decisões particulares. Qualquer decisão precipitada pode afetar funcionários, clientes e parceiros. Mas, acredito que o racionamento ou fracionamento de pessoas nos escritórios, horários menos rígidos e o aumento nos protocolos sanitários são mudanças que vieram para ficar.

Portal ABRAFAC – Até que ponto o home office apresenta-se como uma solução nas áreas de atuação da empresa?

Denise Moraes – Como disse, o home office se tornou a melhor solução para garantir a segurança de todos diante do grande compartilhamento que era feito e não necessariamente de forma segura. Mas, esse conceito começa a ser reavaliado com a retomada da economia, pois as empresas têm características muito peculiares e a prática nem sempre atende a todos. Estamos no meio de três etapas bem importantes para o mercado: todo mundo em casa, retomada consciente e pós-pandemia.

Portal ABRAFAC – E quanto às ações de conscientização da população, como estão sendo feitas?

Denise Moraes – Buscamos como empresa sólida no mercado e com a humanização no DNA -que prioriza o relacionamento humano como um de nossos pilares – fazermos a nossa parte orientando funcionários, clientes, colaboradores e parceiros. Acreditamos dessa forma influenciar de forma ainda mais positiva a sociedade como um todo.

Portal ABRAFAC – Qual é o impacto do coronavírus nas empresas de facilities, em geral?

Denise Moraes – Esse impacto já está acontecendo com a criação de novas rotinas sanitárias. Antes, a preocupação era com o bem estar físico e, agora, a segurança biológica se torna prioridade. Uso dos banheiros com limitação do número de pessoas, sensores que evitam o contato, utilização de materiais e sistemas ‘autolimpantes’, recepções a distância por meio de câmeras e equipamentos de leitura facial, acesso por QR Code e racionamento do uso de portas e sistemas de ar-condicionado que higienizem o ambiente são algumas das principais mudanças que vamos observar.

Portal ABRAFAC – Na sua visão, essa crise é comparável a alguma outra que o setor de facilities já viveu? Por quê?

Denise Moraes – De forma alguma. Já tivemos outras pandemias em outros momentos da história, mas que, certamente, não tiveram o mesmo impacto devido a velocidade das informações. A rapidez com que é possível saber tudo o que acontece ao redor do mundo impacta muito mais o mercado, os negócios e a vida das pessoas. Tivemos nosso modo de vida ameaçado.

Portal ABRAFAC – O que você tem a dizer para os profissionais da empresa que estão atuando na linha de frente diariamente?

Denise Moraes – Nós sobreviveremos. Nosso negócio já sobreviveu. Muito mais do que segurança física, nos preocupamos com a sua saúde emocional, e para isso, continuaremos com todos os canais de diálogo possíveis, nos readaptando quantas vezes for necessário. Estamos juntos!

Portal ABRAFAC – E qual recomendação faz para a sociedade?

Denise Moraes – É preciso cautela em todas as decisões. Novas rotinas poderão ser criadas, mas todo cuidado é pouco com os ‘especialistas’ que surgem nas redes sociais trazendo as mais diversas soluções. Não existe receita na arquitetura e não vamos mudar radicalmente a cultura brasileira. O que faremos são ambientes mais seguros, aliados à tecnologia. Nossa atuação sempre foi personalizada. Pessoas e empresas são únicas e essa tendência vai perdurar. Confie somente em profissionais especializados.

Linha de frente

 

O Portal ABRAFAC ouviu também o arquiteto da AKMX, Daniel Majerowicz, sobre a atuação do setor na pandemia. Para ele, criar projetos em meio ao isolamento social foi o maior desafio desde o início, já que as funções são diferentes na empresa, mas as tomadas de decisão são feitas pelo time todo.

A rotina de trabalho em equipe é primordial nos processos de criação e foi abruptamente substituída por reuniões virtuais. O carioca, na empresa desde 2013, vive sozinho em São Paulo e precisou reinventar as rotinas pessoal e profissional.

Portal ABRAFAC – O fato de você estar diariamente exposto ao coronavírus preocupa a sua família?

Daniel Majerowicz – No início minha família ficou muito preocupada, principalmente por eu morar em São Paulo, onde surgiram os primeiros casos da doença. Mas a AKMX foi muito rápida em tomar decisões para garantir a nossa segurança. A diretoria se antecipou e nossa rotina de home office foi criada antes mesmo dos protocolos dos órgãos governamentais e de saúde. Claro que, de certa forma, todos ainda estamos expostos, mas como meu trabalho é feito praticamente todo de casa, estou mais tranquilo com o fato de não haver o deslocamento diário.

Portal ABRAFAC – Que cuidados você costuma tomar no trabalho para se proteger?

Daniel Majerowicz – Tenho evitado, mas, quando preciso, não utilizo o transporte público, por exemplo, até por morar relativamente perto da AKMX. Nesta semana, tive um compromisso no escritório e fui de transporte por aplicativo, pois considero mais seguro e viável financeiramente. Quando chego no trabalho, higienizo a minha mesa, assim como antes de ir embora. Mudei o hábito de compartilhar pertences pessoais e objetos de trabalho como, por exemplo, meus lápis de desenhar croqui. Além disso, mantenho o distanciamento adequado dos colegas, mesmo quando existe a necessidade de reuniões. Máscara e higienização das mãos já se tornaram extremamente habituais.

Portal ABRAFAC – E quando chega em casa?

Daniel Majerowicz – Logo no hall do prédio já costumo fazer higienização com álcool em gel. Chegando em casa, coloco minha máscara reutilizável em um local seguro, assim como as minhas roupas, e vou para o banho.

Portal ABRAFAC – Você está preocupado com o novo coronavírus? Por quê?

Daniel Majerowicz – Sim, estou muito preocupado. Já tivemos momentos mais delicados e de mais atenção. Como recebemos muitas informações a todo momento, nos acostumamos a viver em meio à pandemia. Mas como eu tive uma infância com problemas respiratórios bem graves, como bronquite e asma, nunca perco o estado de alerta, mesmo, hoje em dia, estando bem.

Portal ABRAFAC – Na sua visão, qual o papel do Facility Management no combate à proliferação do vírus?

Daniel Majerowicz – O papel do Facility Management é, em primeiro lugar, disseminar informação. Acredito que este seja o maior problema do combate ao coronavírus no Brasil: falta de informação somada à difusão de informações incorretas. Se o poder público souber abastecer mercado e empresas com informações precisas, e as mesmas orientarem seus funcionários da importância de mudanças de protocolo, teremos um avanço enorme. A conscientização de colaboradores é o principal meio de combate ao coronavírus.

Portal ABRAFAC – Como seu trabalho contribui para o país neste momento de crise?

Daniel Majerowicz – A melhor forma que nossa categoria pode contribuir nesse momento de crise é repensar o formato dos escritórios. A AKMX tem feito grupos de estudo, cursos e reuniões para que, juntos, possamos compreender esse momento, quais mudanças ele trará e como faremos a nossa parte. Precisamos, antes de qualquer outra coisa, entender como as corporações vão se comportar mediante à retomada de suas rotinas. Com certeza, por exemplo, haverá a preocupação com novas ondas de contágio. Ou seja: avaliar como os escritórios vão ser utilizados nos próximos anos, será a nossa melhor forma de atuação, seja criando soluções práticas ou repensando a necessidade de utilização diária desses espaços. Como arquitetos, temos ainda a responsabilidade de avaliar as ocupações em geral. Como vamos reordenar os espaços físicos? Esse é o nosso desafio.

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