Presente em sistemas de água, ela pode causar a Doença dos Legionários, um tipo grave de pneumonia
Ainda pouco conhecida pelo público em geral, a Doença dos Legionários é uma forma grave de pneumonia causada pela bactéria Legionella. A infecção pode causar complicações e levar até a morte.
Presente naturalmente em ambientes aquáticos, a bactéria encontra condições favoráveis para multiplicação em sistemas artificiais de água sem manutenção adequada. Entre os principais pontos de proliferação estão torres de resfriamento e redes hidráulicas, entre outros.
Transmissão
A transmissão acontece pela inalação de pequenas gotículas de água (aerossóis) contaminadas pela bactéria. Essas partículas podem ser produzidas por chuveiros, torres de resfriamento, spas e até mesmo fontes decorativas. É importante destacar que a doença não é transmitida de pessoa para pessoa, nem pelo consumo de água contaminada.
Surtos registrados em diversos países demonstram que a manutenção inadequada dos sistemas prediais de água pode favorecer a proliferação da bactéria e aumentar o risco de infecção, especialmente em grandes edificações.
Quais são os sintomas?
Os sintomas costumam surgir entre dois e dez dias após a exposição à bactéria e incluem:
- febre alta;
- tosse;
- falta de ar;
- dores musculares;
- dor de cabeça;
- cansaço intenso
Nos casos mais graves, a doença pode evoluir para pneumonia e provocar manifestações neurológicas, como confusão mental, além de sintomas gastrointestinais, como diarreia. Mesmo após a recuperação, alguns pacientes podem apresentar sequelas e limitações de saúde por um período prolongado.
Além da Doença dos Legionários, a bactéria também pode causar a Febre de Pontiac, uma enfermidade mais branda, com sintomas semelhantes aos da gripe e que, normalmente, não evolui para pneumonia.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa geral de letalidade da Doença dos Legionários varia entre 5% e 10%, podendo ser maior entre pacientes vulneráveis que não receberam diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Dados divulgados pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos também indicam que aproximadamente 10% dos pacientes diagnosticados com a doença morrem em decorrência de complicações.
No âmbito do Facility Management é fundamental compreender os riscos da Legionella e assegurar as boas práticas de gestão com a adoção de programas de manutenção preventiva e acompanhamento aos indicadores da qualidade da água para garantir a conformidade da legislação, a segurança das edificações e dos ocupantes.
Gestão da água
Como não existe vacina contra a Doença dos Legionários, a prevenção depende da adoção de um programa eficaz de gerenciamento dos sistemas de água. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a implantação de Planos de Segurança da Água:
- identificação dos perigos;
- avaliação dos riscos;
- definição de medidas de controle;
- monitoramento contínuo;
- registros das atividades realizadas;
- implementação de ações corretivas sempre que necessário.
Na prática, isso significa fazer inspeções periódicas, controlar a temperatura da água, eliminar pontos de estagnação, remover trechos mortos das tubulações, promover a limpeza e a desinfecção dos sistemas hidráulicos, além de estabelecer procedimentos específicos para reservatórios, chuveiros, sistemas de água quente, torres de resfriamento e demais equipamentos capazes de gerar aerossóis.
No Brasil, a ABNT NBR 16824 estabelece diretrizes para a prevenção e o controle da legionelose e evitar a proliferação da bactéria Legionella em sistemas de distribuição de água em edificações industriais, comerciais, residenciais, públicas e de serviços.



