Publicado em 30 de outubro de 2025

Painel apontou os novos rumos do Workplace

Thais Trentin, fundadora e CEO da Workplace – Arquiteta Corporativa, apresentou no Congresso ABRAFAC 2025 o Painel Workplace Felicidade que gera resultado: o ambiente de trabalho como novo fator de performance”.

Com mais de duas décadas de experiência profissional – incluindo projetos internacionais – Thais Trentin é formada pela FIA (Fundação Instituto de Administração) e especialista em Arquitetura Corporativa e Industrial com foco na criação de ambientes de trabalho que promovam bem-estar e produtividade. Ao longo de sua carreira vem trabalhando exclusivamente com o segmento corporativo, defendendo sua importância para a construção de cultura, desenvolvimento de pessoas e retenção de talentos. 

Durante a palestra mediada por Marcelo Boeger, Diretor de Comitês ABRAFAC, Thaís trouxe uma abordagem abrangente sobre o futuro da educação e as aplicações imediatas da tecnologia como aliada para desenvolver o espírito crítico e saber identificar o que o topo da profissão exige de cada profissional.

Com uma reflexão de Alvin Toffler: “os analfabetos do futuro não serão os que não saber ler ou escrever, mas os que não sabem aprender, desaprender e reaprender”, Thaís chamou a atenção dos congressistas para as habilidades consideradas essenciais no mercado de trabalho. 

O ambiente devolve

Pensamento analítico; resiliência; liderança e influência social; pensamento criativo; motivação; empatia e escuta ativa, entre outros habilidades foram listadas. “Oito, das 10 habilidades consideradas essenciais no mundo do trabalho são people skills – e não hard skills”, resumiu a palestrante, que acrescentou: “o ambiente físico não é neutro, ele é uma ferramenta de cultura, performance e saúde emocional. O ambiente devolve”.

Fatores como produtividade, resultado, colaboração, integração e satisfação estão diretamente ligados à pertencimento, criatividade e engajamento. “E tudo isso se traduz em desejo de permanência”.

Ao apresentar uma linha do tempo com a evolução dos escritórios, Thaís apontou que eles são o reflexo do comportamento humano e necessidades resultantes do contexto daquele tempo. “O escritório é um reflexo vivo do comportamento humano”, explicou. 

Embasada em uma pesquisa da Universidade de Oxford, que aponta que trabalhadores felizes são 13% mais produtivos, ela convidou os congressistas a pensarem sobre o que fazer para que gerações diferentes queiram permanecer nos escritórios. “As empresas e os espaços que não acompanham as demandas perdem talentos e relevância, deixando de ser desejados”, salientou.

Thaís classificou a fase como a nova ruptura do workplace, trazendo mais um questionamento: “se o ambiente da sua empresa falasse, o que ele diria aos colaboradores?”, indagou para prosseguir: “a cultura adoece bem antes da planilha mostrar”.

Reciprocidade

Segundo ela, a teoria da reciprocidade faz com que o ambiente devolva o que recebe: se recebe cuidado, devolve em bem-estar, pertencimento e engajamento, com apresentação de cases reais nos quais a aplicação teve impactos positivos. “Ao contrário, ambientes que adoecem devolvem: conflitos silenciosos, alta rotatividade, absenteísmo, perda de talentos e muito retrabalho. Por isso, digo que o ambiente é cultura em estado sólido”.

Além disso, a palestrante salientou que no novo contexto, os profissionais não querem mais mesa compartilhada sem ergonomia, sala sem janela e o dia do bombom. “Eles pedem clima leve, propósito claro e espaços que respeitam o corpo. 

A partir daí ela convidou a uma viagem imaginária ao futuro do workplace, o wellness Building, o novo padrão dos espaços corporativos composto por 10 pilares:

  1. Ar
  2. Água
  3. Alimentação
  4. Luz
  5. Movimento
  6. Conforto térmico
  7. Som
  8. Materiais
  9. Mente
  10. Comunidade

Além disso, também foram destacados a importância de espaços que cuidam da saúde mental; ambiente que estimulam o corpo e o pertencimento. “O escritório deixa de ser operacional e vira hub de experiência”, pontuou, fundamentando a argumentação no design centrado no humano. “O ambiente afeta o cérebro e o desempenho”.

Com base na Neuroarquitetura, ciência que estuda como o design do ambiente físico pode influenciar o comportamento e o desempenho humano, Thaís explicou como os espaços bem projetados podem melhorar as relações, o foco, a criatividade e o bem-estar dos usuários. Organizações saudáveis têm mais produtividade, menos absenteísmo, menos custos operacionais e de saúde, mais retenção, engajamento e adaptação ao mercado.

Além disso, a palestrante também trouxe para a discussão a questão da NR 01 e suas implicações legais na regulamentação e gerenciamento dos riscos ocupacionais questionando como serão, na prática, as novas ferramentas de trabalho dos Facility Managers, destacando as diferenças entre o GRO (Gerenciamento de Riscos Ocupacionais) e PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos). Para finalizar, ela concluiu que os profissionais estratégicos não resolvem apenas problemas. “Eles antecipam necessidades. Não esperam a dor: desenham o cuidado”.

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