Publicado em 12 de dezembro de 2019

A ABRAFAC – Associação Brasileira de Facilities vai realizar uma nova edição do FM Tactics na próxima quarta-feira, 18 de dezembro de 2019, às 10h. O webinar é gratuito e terá como tema responsabilidade social em Facilities (faça sua inscrição neste link: https://abrafac.webex.com/abrafac/onstage/g.php?MTID=ed656673dee846d6bd67e6a2df7d19a33)

Na ocasião, a engenheira civil Ana Claudia Morrissy Machado, gerente de Infraestrutura LATAM na Shell Brasil Petróleo, vai falar sobre a ligação entre responsabilidade social e Facilities Management, utilizando o estudo de caso do Biosaneamento. Este é o trabalho vencedor do Prêmio ABRAFAC 2019.

Nesta entrevista, Ana Claudia fala sobre este tema e o setor de Facilities. Confira:

Portal ABRAFAC – Em sua visão, qual a importância da realização de eventos como o FM Tactics para o setor de Facilities?

Ana Claudia – O setor de Facilities ainda é muito carente de qualquer tipo de divulgação, por mais que a gente hoje tenha workshops, palestras, entre outros, ainda sinto muita carência em termos de o que fazer, como fazer e onde buscar informações. Em qualquer outra área, você encontra muita literatura disseminada, muitas coisas, mas não em termos de Facilities.

Então, você ter canais através dos quais você possa discutir temas em um assunto que é tão importante, mas que está se profissionalizando cada vez mais, mas cujo acesso à informação é tão difícil e incipiente, ter canais como o FM Tactics é importantíssimo e um caminho para abrir espaço, divulgar e tratar dos assuntos que estão cobertos por Facilities, para tornar isso conhecido. Muita gente ainda tem muita dúvida sobre o que é a atividade, o que faz parte e o que não faz, então eu vejo por esse lado da comunicação e ser mais uma forma de as pessoas terem contato com o tema.

Portal ABRAFAC – Qual a importância de falar sobre responsabilidade social?

Ana Claudia – A situação que a gente está vivendo no mundo hoje é uma situação em que a classe média e a classe alta são a bolha e a carência que a gente vê ao redor é absurda em todos os níveis e sentidos, não só no sentido financeiro. Falar de responsabilidade social é trazer à tona um tema que por muitas vezes, durante muitos anos, foi utilizado apenas como uma forma de mostrar que a empresa faz a sua parte e está bonitinha no papel, mas a gente precisa ir muito além disso e discutir tanto esse tema que as pessoas comecem a enxergar isso como valor e ver que é preciso abrir espaço e começar a dividir, ver que outras pessoas não tiveram a mesma oportunidade que elas e, com aquilo que elas sabem, podem ajudar outras pessoas a saírem da posição degradante em que estão e crescerem, terem uma oportunidade e dignidade, essa é a parte mais importante. Eu não só cumpro a minha parte como eu acredito naquilo que eu faço, então discutir responsabilidade social e todos os outros temas afins a esse é uma obrigação de quem tem um pouco mais de conhecimento e esclarecimento.

Portal ABRAFAC – Sob quais aspectos você abordará o assunto?

Ana Claudia – Vou mostrar como a responsabilidade social chegou a mim. Eu sempre fui preocupada com isso, procurei caminhos, mas ela chegou na contramão disso, quando eu não estava procurando isso. Eu abracei a responsabilidade social e fui construindo todos os passos e trazendo isso para a minha vida empresarial, vendo tudo o que eu poderia fazer dentro da empresa para despertar esse sentimento, essa preocupação, que existe mas talvez não esteja na esfera do valor, talvez esteja só na esfera da responsabilidade enquanto empresa para cumprir o que é esperado que se faça. Vou falar sobre esse lado e mostrar como ela chegou a mim, uma pessoa e profissional normal e como ela pode chegar a qualquer um. Quando a gente abraça a responsabilidade social, quais são as mudanças que isso traz? Como se cresce como pessoa e enquanto profissional?

Portal ABRAFAC – Quais são os principais avanços com relação a responsabilidade social em Facilities Management? E os desafios?

Ana Claudia – Em primeiro lugar, o principal avanço é entender o que é responsabilidade social e, dentro de Facilities Management, onde se tem acesso a tantas pessoas e tanta coisa, onde se conhece tantas técnicas, é você lançar mão disso para ajudar a quem precisa.

Os desafios estão muito ao redor de você tocar as pessoas, envolver, ter pessoas abraçando a causa junto com você. É preciso que os propósitos se encontrem. Os propósitos de muitas pessoas já estão voltados para isso, mas como você aborda? Como traz pessoas para o seu lado? Como você convence as pessoas de que aquele é um caminho bom e seguro? É um caminho que não vai trazer só felicidade para a pessoa, de se sentir útil, mas profissionalmente ela vai começar a dar muito mais valor àquilo que ela faz e tem ao redor quando ela enxerga que a grande maioria não conseguiu chegar e não tem. Então em vez de reclamar você começa a agradecer e descobrir novos caminhos para melhorar profissionalmente e pessoalmente, para poder seguir ajudando cada vez mais.

Portal ABRAFAC – Você vai falar sobre o caso do Biosaneamento. Sob qual aspecto será sua abordagem?

Ana Claudia – O Biosaneamento é um projeto que foi criado por um grupo de engenheiros e arquitetos, cujo propósito se uniu. Então, vou mostrar basicamente essa necessidade de olhar para o próximo e fazer alguma coisa com aquilo que você sabe e como isso pode te levar a uma direção tão interessante. O caso do Biosaneamento é um deles. Você vencer todos os desafios para poder entrar em comunidades, entender todos os desafios que essas pessoas vivem e poder aplicar seu conhecimento técnico para ajudar e transformar a vida dessas pessoas dando dignidade a elas, permitindo que elas não vivam uma situação tão degradante com tantos problemas de saúde, é um grande feito. O Biosaneamento é um exemplo disso.

Portal ABRAFAC – Seu trabalho sobre Biosaneamento foi vencedor do Prêmio ABRAFAC 2019. Por que acredita que recebeu o prêmio?

Ana Claudia – Ele ganhou o prêmio porque as pessoas enxergaram nele a beleza desse trabalho e como trabalhos como esse podem melhorar a situação do nosso entorno e, consequentemente, melhorar a nossa situação e a das gerações futuras. A gente dá uma chance para que o mundo seja um lugar melhor, então eu acredito muito nisso e a forma que ele foi escrito e apresentado tocou a audiência que comunga desses propósitos. Talvez eles ainda não tenham tido a oportunidade de fazer alguma coisa, mas naquele momento elas sentiram que era possível, foi um abrir de olhos, um despertar. Acho que foi por isso que esse trabalho teve a repercussão que teve e foi merecedor do prêmio da ABRAFAC.

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