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trabalho no pos pandemia

Em situação e tempos normais, poderíamos listar itens como:

  • Controle de Custos
  • Capacidade de Multitarefa
  • Fazer mais com menos
  • Atualização tecnológica e assim por diante.

No entanto, na realidade que a pandemia de Covid-19 nos trouxe, devemos repensar quais são as verdadeiras questões críticas que a nossa profissão enfrenta atualmente e continuará a enfrentar num futuro próximo e médio.

4ª Revolução Industrial

A atual pandemia modificou profundamente a forma como trabalhamos, provavelmente tanto quanto a Revolução Industrial (no sec XVIII), a Produção e Distribuição em larga escala da Energia Elétrica (no sec XIX) e o advento da computação e da Internet (sec XX) trouxeram para a realidade das respectivas épocas. Alguns estudos e pesquisas nos mostram isso.

Para mais informações sobre isso, acesse os links à seguir:
https://law.unimelb.edu.au/__data/assets/pdf_file/0005/3385454/SchwabThe_Fourth_Industrial_Revolution_Klaus_S.pdf).
https://intelligence.weforum.org/topics/a1Gb0000001RIhBEAW?tab=publications

A pandemia conseguiu acelerar – em apenas dois ou três meses – o aumento do trabalho remoto que nos últimos 10 anos, vinha sendo apenas uma tentativa de redução de viagens e deslocamentos em algumas empresas e, em outras, até como benefício de trabalhar uma vez por semana remotamente. Uma resistência que se demonstrará mais pessoal do que tecnológica, a história a seguir nos mostrará.

De uma só tacada inúmeros prédios e empresas ficaram vazios, sendo ocupados, em muitos casos, somente pela equipe diligente e dedicada dos profissionais de Facilty e Property Management e seus prestadores de serviços.

Dessa forma e sem nenhuma transição, a história do trabalho remoto, enfim se torna realidade e todos (sem nenhum treinamento) tiveram que se adaptar a esse novo formato de entrega das suas atividades
e de relacionamento “humano” via, no máximo, uma telinha. Além do relacionamento profissional, até os famosos happy-hours passaram a acontecer todos via online. Uma série de paradigmas corporativos e conceitos de gestão, liderança e administração foram abrupta e profundamente alterados, quer os resistentes quisessem ou não. Não haveria mais espaços para justificar a necessidade dessa ou daquela viagem, reunião ou compromisso presencial.

Felizmente a tecnologia estava preparada para ser o midleware ou framework dessa solução e, graças a ela, a ruptura não existiu. As regras corporativas tiveram que se flexibilizar e se ajustar a uma nova demanda e capacidade de resolução. Tempos, formatos, jeito de se fazer, de se relacionar e de se efetuar as entregas foram se ajustando, se organizando e se formatando ao longo do tempo e das realizações.

Literalmente, o caminho foi o moldador dos novos formatos, fomos nos ajustando, bem como a tudo que estava ao nosso redor, durante a caminhada ou, usando outra metáfora, ao longo do vôo (nesse caso de cruzeiro) que não poderia parar. Infelizmente, alguns setores e empresas, foram duramente impactados, dado a característica do negócio e tiveram que suspender suas atividades.

Transformação Digital no Trabalho

Como resultado de todo esse processo a pandemia de Covid-19 acelerou a digitalização do trabalho, trazendo novas features e formatos para o dia-a-dia. O World Economic Forum divulgou um Relatório denominado “The Future of Jobs Survey” (veja no link a seguir: https://www3.weforum.org/docs/WEF_Future_of_Jobs_2020.pdf) demonstrando que a Covid-19 fez com que o mercado de trabalho mudasse mais rápido do que o esperado, bem alinhado com o que já abordamos acima.

Essa pesquisa demonstra que o que era antes considerado o “futuro do trabalho” já chegou e todos estamos vivenciando essa realidade. Esse estudo enfatiza que à medida que a economia e os mercados evoluem, cerca de 100 milhões (mais precisamente 97 milhões) de novas oportunidades e papeis emergirão nas chamadas industrias de tecnologia, tais como inovações em inteligência artificial, IoT, data storage, no campo de desenvolvimento de conteúdo, no que eles chamam de “care economy, etc, etc.

Todo esse aparato tecnológico tenderá a reduzir a demanda operacional e dará mais espaços aos “humanos” para que se dediquem à atividades mais qualificadas, como por exemplo gerenciamento, tomada de decisão, comunicação e interação social, entre outras tantas. A excelência operacional será, de certa forma, commoditizada através de soluções robotizadas e tecnológicas e o grande diferencial estará na interação e experiência que a solução promoverá aos seus clientes e usuários, demandando nesse processo, inevitavelmente, da ação humana.

Nesse cenário, aonde a tecnologia operacionalizará e a gestão de FM se responsabilizará pela relação com os usuários, começam a surgir novas tendências tais como Employee First Experience, Employer of Choice e Workplace as a Service, entre outras. Todas essas tendências e novas práticas são interessantes, mas não nos surpreendem tanto como antes; já não causam furor e ansiedade, estamos mais adaptados e acostumados às mudanças que Industria 5.0 traz a todo momento para nós e, em especial, nesses últimos dois anos, vivenciamos isso intensamente. Ambiente virtual, trabalho digital, flexibilidade de horário, dress code mais casual, home-office integral, cultura digital, flexibilidade na jornada de trabalho, estrutura matricial e tantas outras realidades que eram mais comuns em ambientes e universo das empresas de tecnologia e startups, estão disseminadas nas mais tradicionais empresas, embora em algumas, ainda exista a resistência e o temor (inexplicado) de adoção dessas práticas.

Total Flexibilidade

Essa nova realidade corporativa elevou a ênfase da maioria das empresas na flexibilidade dos funcionários como nunca antes visto e de forma quase geral e unânime. Esse é um ganho que se traduz em satisfação e qualidade de vida para todos os empregados e, inegavelmente, apesar de alguns apontamentos sobre a saúde mental do trabalhador em função do distanciamento social, fatores como trânsito caótico, transporte público e tempo gasto no deslocamento, disponibilidade “quase” total, etc., superam as adversidades e os empecilhos, trazendo mais prazer no desenvolvimento das atividades
via home-office.

A tendência para suprir essas demandas, ou melhor dizendo, a busca pelo equilíbrio mental e qualidade de vida, já está em pleno andamento por muitas empresas com a adoção da atividade híbrida, possibilitando ao funcionário optar em trabalhar de

  1. Casa (home-office);
  2. Num coworking, via agendamento, próximo de sua residência;
  3. No escritório da empresa com local fixo (assigned work station);
  4. Adoção do modelo de hotelling aonde o colaborador tem que agendar seu espaço com antecedência, e;
  5. Em qualquer outro espaço aonde a tecnologia ofertada propicie a experiência do trabalho (por exemplo, as chamadas smart cities ofertam locais públicos com internet de alta velocidade).

Ao longo da semana e de acordo com a conveniência do funcionário e demanda de atividades, poder-se-á experimentar todas as opções de ambiente, propiciando uma experiência de trabalho diversificada e enriquecedora, aonde a rigidez de horário e de regras passam a fazer parte do passado.

Uma pesquisa encaminhada pelo Future Forum denominada “Future Forum Survey Jan’22” (https://futureforum.com/wp-content/uploads/2022/01/Future-Forum-PulseReport-January-2022.pdf) aponta que 78% dos entrevistados desejam mais flexibilidade aonde (where) eles trabalham e 95% querem mais flexibilidade quando (when) eles trabalham.

O modelo hibrido vem se consolidando especialmente por atender a essa demanda proveniente dos funcionários e também por trazer benefícios para as empresas. Sem a junção desses propósitos e ganhos, não se estabeleceria de forma tão rápida. A relação tem que ser ganha-ganha, para ser factível.
Há registros que o home-office, durante a pandemia, aumentou em 5% o ganho de produtividade em alguns setores e empresas. Veja essa informação através do link: https://www.infomoney.com.br/carreira/trabalho-remoto-pode-aumentarprodutividade-em-5-diz-estudo/.

Os Desafios para o Profissional de Facility Management Nessa Nova Realidade

Todas essas tendências e, claro, as questões críticas no campo da profissão refletirão nas novas demandas que a área terá que se adaptar para suprir, mais cedo do que podemos imaginar. Aliás, em muitos casos, já em andamento! Teremos que nos concentrar cada vez mais em conectar pessoas que precisam trabalhar na empresa àquelas que podem trabalhar de maneira flexível. Estamos mudando de uma experiência de assigned work station e/ou single home-office para uma solução híbrida. Nossos espaços deverão se ajustar tailor made à realidade corporativa e decisão organizacional, buscando justamente oferecer soluções que atendam a esse novo modelo de trabalho.

De um lado teremos, plantas industriais e ambientes de escritório cada vez mais modernos com demandas por instalações e soluções que atendam às características do business (no caso dos escritórios, cada vez mais reduzidos e com o hotelling como formato) e que estejam plenamente ajustadas à segurança sanitária em tempos de realidade hostil nesse campo (essa pandemia veio mostrar a necessidade de maior cuidado) e, de outro lado, atendendo à demanda da flexibilidade que poderá utilizar a infraestrutura da empresa de modo conveniente, como já mencionado. A tecnologia
propiciará essa experiência. A digitalização é uma realidade!

Nesse cenário, a área de Real Estate e PDS (construções, retrofits, pequenas obras e etc) estarão cada vez mais atreladas ao FM, apoiando as necessidades de novas locações, ajustes e adaptações no space planning (por exemplo), em tempos em que o certo e o errado não existem. Por exemplo: Por exemplo: Porque criticar a empresa que decidiu desmobilizar suas instalações e optar pelo coworking e/ou a modelagem hotelling ou aquela que optou em manter intacta suas instalações, com as estações trabalho dedicadas/fixas, como antes da pandemia?

O grande desafio do FM será o de adequar-se rapidamente para ajustar o tamanho da empresa e o tipo de space planning à demanda corporativa e de negócio, adaptar as políticas e as normas de utilização e convívio, adotar a tecnologia mais aderente e user friendly, desenvolver métricas que reflitam o comportamento e a realidade para acompanhar o IS – Índice de Satisfação, promovendo os ajustes imediatamente (se necessários), entre tantas outras variáveis. Já vencemos lacunas que pareciam intransponíveis, especialmente quando nos vimos sozinhos com nossos prédios desocupados e sem saber se ficávamos ou também íamos para casa.

Numa demonstração de transformar o desafio em oportunidade, cada um de nós superou esse momento da melhor forma possível e atendendo criteriosamente à todas as exigências sanitárias, legais, corporativas e, o mais importante, sem deixar nossos ambientes abandonados. Alguns de nós, tiveram que ir no limite, para que as nossas instalações e infraestrutura não ficassem abandonadas, correndo o risco, em última instância, do sucateamento.

Foi um chamado de urgência diante de uma guerra global contra um vírus que levou muitos inocentes, em alguns casos, entre eles, colegas de trabalho, amigos e parentes. Nos reinventamos, superamos as adversidades e estamos mais fortes do que antes! Essa nova demanda do FM, que se juntará aos mais técnicos requisitos da profissão, passará também por uma posição mais estratégica, que será o de auxiliar a empresa a tomar a decisão mais acertada do ponto de vista de suas crenças corporativas, valores organizacionais, tipo de negócio e disposição para inovar ou não em tempos de total revolução, num cenário disruptivo, adverso e incerto. Justamente, o desafio do profissional de FM, residirá em perceber esse momento e movimentar-se no sentido de oferecer a maior gama de soluções e possibilidades para que o C-level tenha elementos suficientes e adequados, para uma tomada de decisão estruturada e mais próxima do acertado.

Nesse ambiente de profundo desafio, com incertezas que não víamos em décadas, podemos afirmar apenas que a flexibilidade dos ambientes de trabalho se consolidará cada vez mais. Nesse cenário e momento, um outro desafio do profissional de FM, tão importante quanto o técnico, será o de desenvolver as chamadas soft skills que são as habilidades particulares que envolvem aptidões mentais, emocionais, sociais e espirituais. São habilidades construídas através da experiência, da cultura, das referências e da educação formal e informal de cada um de nós. Posso listar uma série delas, contudo cito as mais importantes para a nossa realidade e desafios atuais: Comunicação Interpessoal, Resiliência, Flexibilidade, Capacidade de Trabalhar sob pressão e Equilíbrio Emocional.

É relevante que nós, profissionais de Property, Workplace e Facility Management tenhamos claramente a importância da capacitação profissional, incluindo o desenvolvimento das habilidades soft skills e, adicionalmente, como uma última dica, a interação com o meio e outros companheiros de profissão é tão importante quanto, nesse mundo de constante transformação.

A participação em grupos de trabalho e associações além de aumentar o networking é oportunidade ampla e irrestrita para benchmarking. “Não inventar a roda” e ver como as coisas são aplicadas em outras empresas (concorrentes ou não), é uma decisão sábia e bem barata, evita desperdícios e possibilita trazer para dentro de nossas empresas e ambientes as boas práticas do mercado. Adicionalmente, a nossa presença deve ser fazer constante em workshops, feiras e eventos. Tudo isso é relevante. É importante.
Esse comportamento, que na verdade é essencialmente um direcionamento estratégico, são atitudes e conduta relevantes para nos manterem atualizados e conectados com o que de mais moderno existe no mercado.

Ressalto a importância da ABRAFAC, por ela e através dela, aqui no Brasil, podemos encontrar tudo isso – networking, benchmarking, eventos, workshops que nos manterão atualizadíssimos e na vanguarda, auxiliando-nos a superar os desafios desse novo normal.

foto francisco abrantes

Francisco Antonio de Souza Abrantes

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