Publicado em 08 de junho de 2026

IFMA LATAM SYNC Brasil discutiu o futuro do Facility Management

A ABRAFAC marcou presença na série de webinars IFMA LATAM SYNC Brasil: O Futuro do Facility Management, realizada online em 2 de junho. Na ocasião, a Associação foi representada pela presidente Lívia Lourenço, que participou ativamente do debate ao lado de outros especialistas, discutindo o cenário atual e as perspectivas futuras do Facility Management (FM) no Brasil e na América Latina.

Principal entidade representativa dos setores de Property, Workplace e Facility Management no Brasil, a ABRAFAC vem consolidando seu papel na padronização de práticas, no desenvolvimento profissional dos gestores e na promoção da eficiência e da sustentabilidade das operações, infraestruturas e ambientes de trabalho nas organizações.

Com abertura de Tiago Opazo Ricciardi, LATAM Regional Leader do IFMA, e moderação de Fátima Sousa, CEO da FS Educa e conselheira da ABRAFAC, o encontro contou ainda com a participação de Ana Machado, Facility Manager da Shell, e César Moura, Gerente de Vendas Enterprise LATAM da Infraspeak.

Dividido em blocos temáticos, o debate abordou os temas “O Momento Atual do FM no Brasil e na América Latina”, “Tendências e Inovação em FM”, “Governança, Estratégia e Liderança” e “Perspectivas e Futuro do FM”, proporcionando uma análise aprofundada dos desafios e oportunidades da área.

A evolução do FM 

Em sua participação, Lívia destacou que o Facility Management vive um momento de transição no Brasil e na América Latina. “Já saímos de uma visão puramente operacional, mas ainda não chegamos, de forma homogênea, ao patamar estratégico que o FM pode ocupar dentro das organizações”, afirmou.

Segundo ela, ainda existem empresas que enxergam Facilities apenas como um centro de custos. No entanto, organizações mais maduras já compreendem que a área impacta diretamente a experiência do colaborador, a produtividade, a continuidade dos negócios, as práticas ESG, a gestão de riscos e a eficiência financeira.

Lívia ressaltou ainda que a ISO 41001 representou um marco importante para o avanço do setor ao posicionar o Facility Management como um sistema de gestão, e não apenas como executor de serviços.

Entre os indicadores de maturidade da área, ela citou a participação nas decisões estratégicas, a existência de orçamento estruturado e indicadores claros, o uso de dados para tomada de decisões e a mensuração da experiência dos usuários.

“Na América Latina temos grandes ilhas de excelência, especialmente em multinacionais, indústrias, hospitais, bancos, empresas de tecnologia e grandes condomínios corporativos. Mas ainda precisamos avançar na profissionalização, na padronização de indicadores e no reconhecimento do FM como função estratégica”, destacou.

Os principais desafios da área

Ao abordar os desafios atuais, a presidente da ABRAFAC apontou cinco grandes frentes de atuação: controle de custos, qualificação da mão de obra, governança de fornecedores, sustentabilidade e transformação do workplace. “Mas o mais importante e novo desafio é sair da operação reativa e entrar na gestão estratégica baseada em dados”, enfatizou.

Tecnologia e Inteligência Artificial 

Ao falar sobre inovação, Lívia destacou o impacto crescente da tecnologia na gestão de Facilities. “Durante muito tempo, as decisões eram baseadas em percepção: ‘acho que o prédio está cheio’, ‘acho que o ar-condicionado não está performando’, ‘acho que a limpeza precisa melhorar’. Hoje, com dados, conseguimos medir, comparar, prever e decidir melhor”, explicou.

A presidente também ressaltou o papel da Inteligência Artificial na análise de grandes volumes de informações e na identificação de padrões operacionais. “Ela ajuda na leitura de grandes volumes de chamados e na identificação de padrões. Mas a IA não substitui o profissional de FM. Ela substitui tarefas repetitivas, acelera análises e libera o profissional para atuar com mais estratégia, visão crítica e liderança.”

Liderança e governança

Outro ponto abordado foi o papel das lideranças na construção de ambientes capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e desempenho. “Faciltiy Management é uma área essencialmente humana. Lidamos com equipes próprias, terceiros, fornecedores, clientes, usuários, visitantes e comunidades.”

Segundo Lívia, inclusão e resiliência precisam deixar de ser apenas conceitos e se transformar em práticas de gestão. “Ambientes inclusivos consideram acessibilidade, diversidade, respeito, segurança psicológica, linguagem, comunicação e a experiência de diferentes públicos.”

Sob a perspectiva da governança, a presidente ressaltou a importância dos indicadores para a tomada de decisão. “Sem indicadores, a área de FM fica vulnerável à percepção. O SLA define o compromisso. O KPI mede a performance. A análise crítica transforma o número em decisão.” Ela acrescentou que os indicadores são fundamentais para demonstrar valor, justificar investimentos, corrigir desvios e promover a melhoria contínua.

O papel das associações no fortalecimento do setor

Durante sua participação, Lívia também destacou a importância das entidades representativas para o desenvolvimento da profissão. “Como presidente da ABRAFAC, acredito que nosso papel é criar pontes. O FM não evolui isolado. Ele evolui quando compartilha conhecimento, mede sua contribuição e demonstra seu impacto para os negócios e para a sociedade.”

Segundo ela, a atuação das associações como a ABRAFAC é essencial para conectar o mercado, disseminar conhecimento, fortalecer a profissão e ampliar a voz dos profissionais.

Tendências para o futuro do Facility Management

Ao encerrar sua participação, Lívia destacou que o FM do futuro será cada vez menos executor de tarefas e mais integrador estratégico.

Entre as principais tendências para os próximos anos, ela apontou:

 

  • Inteligência Artificial aplicada à operação;
  • Gestão de ocupação;
  • ESG e descarbonização;
  • Integração entre Facilities, Workplace, RH, Tecnologia e Real Estate;
  • Profissionalização dos contratos;
  • Uso de plataformas integradas;
  • Valorização da experiência humana.

Nesse contexto, ela ressaltou que a comunidade de FM precisa se preparar em quatro dimensões fundamentais: conhecimento técnico, visão de negócios, domínio de dados e liderança humana.

“Para ampliar sua relevância estratégica, a área precisa apresentar resultados em linguagem executiva, além de investir em certificações, normas, benchmarking, participação em associações e formação contínua.”

Para concluir, a Presidente reforçou que o novo ciclo do Facility Management exige coragem para mudar, humildade para aprender e visão para ocupar espaços estratégicos.

“A tecnologia vai avançar. A inteligência artificial vai transformar processos. Os modelos de trabalho continuarão mudando. Mas o papel humano do FM continuará essencial. Porque no centro de todo edifício existe uma pessoa. E no centro de toda boa operação existe um profissional de Facility Management fazendo a diferença.”

E concluiu: “esse é o nosso papel como comunidade: elevar a profissão, desenvolver pessoas, compartilhar conhecimento e mostrar que o FM é uma alavanca estratégica para os negócios, para as pessoas e para a sociedade.”

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