Por Rodrigo Bottino do Amaral
O Facility Management pode contribuir, de forma efetiva, para elevar a maturidade da gestão de infraestruturas críticas no setor público, assumindo papel cada vez mais estratégico na administração pública contemporânea.
Se anteriormente suas atividades eram predominantemente associadas à manutenção predial, atualmente observa-se uma ampliação de sua atuação para temas relacionados à continuidade operacional, gestão de ativos, sustentabilidade, conformidade regulatória e mitigação de riscos.
Esse movimento torna-se ainda mais relevante quando a infraestrutura administrada está associada à prestação de serviços de saúde. No âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), a Secretaria de Serviços Integrados de Saúde (SIS) possui estrutura destinada à assistência médica, odontológica, fisioterapêutica e de enfermagem aos usuários previstos em seus normativos internos. Trata-se de um ambiente que reúne equipamentos médicos, sistemas prediais especializados e processos sujeitos aos requisitos técnicos e sanitários específicos.
Diversas instituições públicas mantêm estruturas próprias semelhantes destinadas à promoção da saúde ocupacional e ao atendimento de situações de urgência envolvendo seus integrantes.
Esses ambientes apresentam características particulares, reunindo ativos cuja indisponibilidade pode comprometer a continuidade dos serviços assistenciais, por exemplo:
- equipamentos odontológicos;
- equipamentos de fisioterapia;
- equipamentos médicos destinados ao atendimento ambulatorial;
- autoclaves;
- sistemas de climatização;
- sistemas elétricos dedicados;
- equipamentos de refrigeração para medicamentos;
- sistemas de abastecimento de água.
A gestão desses ativos demanda planejamento permanente ao longo de todo o ciclo de vida, considerando requisitos técnicos, disponibilidade operacional, confiabilidade e segurança.
Os contratos administrativos normalmente estabelecem critérios detalhados para manutenção preventiva e corretiva, contemplando inspeções, testes funcionais, calibrações, limpeza técnica, substituição de componentes e atendimento dentro de prazos previamente definidos. Esse modelo possui grande importância para garantir o funcionamento adequado dos equipamentos.
Entretanto, observa-se que tais instrumentos concentram-se, predominantemente, na execução dos serviços de manutenção. Sob a perspectiva da gestão estratégica, surgem outras questões igualmente relevantes:
- quais ativos apresentam maior criticidade operacional;
- quais equipamentos concentram maior frequência de falhas;
- quais riscos podem comprometer a continuidade dos serviços;
- quais ativos se aproximam do fim de sua vida útil;
- quais investimentos proporcionam maior retorno institucional.
As infraestruturas de saúde existentes em organizações públicas constituem ativos estratégicos para a continuidade institucional. Embora a manutenção permaneça elemento essencial, observa-se crescente necessidade de incorporar conceitos relacionados à gestão de ativos, indicadores de desempenho, análise de riscos e transformação digital.
Essa mudança amplia o papel do Facility Management, deslocando-o da execução operacional para a gestão baseada em riscos e tomada de decisão. Com isso, uma abordagem capaz de apoiar essa evolução consiste na aplicação dos princípios da ISO 55001.
A norma propõe que os ativos sejam administrados considerando todo o seu ciclo de vida, integrando planejamento, operação, manutenção, avaliação de riscos, desempenho e substituição. Outro aspecto relevante está na transformação digital e as novas possibilidades para a gestão das infraestruturas críticas.
Tecnologias como sensores inteligentes, Internet das Coisas (IoT), telemetria e plataformas de Business Intelligence permitem ampliar a capacidade de monitoramento dos ativos.
Em ambientes de saúde, essas tecnologias podem ser empregadas para monitoramento de temperatura de medicamentos; acompanhamento do desempenho de compressores odontológicos; monitoramento energético; geração automática de alertas e acompanhamento remoto de parâmetros operacionais.
No entanto, a adoção dessas soluções depende das estratégias institucionais de cada organização, sendo apresentada neste artigo como tendência tecnológica aplicável ao Facility Management.
A gestão da infraestrutura de saúde não se limita ao funcionamento dos equipamentos. Questões relacionadas à gestão de resíduos de serviços de saúde, biossegurança, controle de processos, sustentabilidade e conformidade regulatória integram um conjunto de responsabilidades que influenciam diretamente a qualidade dos serviços prestados.
Nesse contexto, o Facility Management atua como elemento integrador entre infraestrutura, gestão de riscos, requisitos regulatórios e planejamento institucional. Essa atuação fortalece a governança pública ao proporcionar maior previsibilidade, transparência e eficiência na administração dos ativos físicos.
Esta abordagem demonstra que o Facility Management possui potencial para atuar como instrumento de governança, integrando engenharia, administração, sustentabilidade e gestão pública e apoiar a continuidade dos serviços institucionais.
Rodrigo Bottino do Amaral – Membro do Comitê de FM em Serviços de Saúude da ABRAFAC. Atua como Gerente de Facilities do Consórcio BSB Facilities, residente no Supremo Tribunal Federal (STF). É Membro do Comitê de Facility Management em Serviços de Saúde (ABRAFAC) e Membro da Comissão Especial de Gestão e Administração Profissional de Edificações (CRA-RJ)


